Passei a semana toda a procurar o tema desta crónica, mas parecia que a criatividade me havia abandonado e que foi junto com a minha filha no avião para Lisboa… a verdade é que o Mundo das fraldas, dos biberões às 4 da manhã e dos bonecos que cantam quando lhes apertamos a barriga, constituem todo um universo inspirador, até para o mais aborrecido dos homens.

Assim sem a minha pequena musa por perto decidi sair de casa à procura de assunto. Deixei o portátil para trás e apelei à fiel caneta que mantive, todos estes dias, guardada no bolso não fosse aparecer de repente a tal inspiração. Mas nada, só encontrava a mesma folha vazia de sempre, – alguns escritores chamam a isto o desespero da folha em branco. – até que finalmente, à falta de uma resposta do papel decidi voltar-me para a caneta, que é como quem diz, tentar ver as coisas de outro prisma. E não é que a caneta falou? Ela trouxe-me à memória uma história sobre canetas e ideias… sobre boas canetas e melhores ideias. Que me perdoem aqueles que já a conhecem mas acredito que boas histórias valem sempre a pena recordar e então cá vai:

Diz-se que esta história aconteceu nos anos 60 do século passado, mais precisamente nos tempos da corrida espacial entre os soviéticos e os norte-americanos. Ora os técnicos de ambos as nações entendiam que os seus astronautas deviam anotar os dados das suas viagens mas havia um problema: as canetas normais não funcionavam no espaço. Às primeiras variações de pressão aquelas elegantes canetas de tinta permanente espalhavam a sua tinta dentro da nave espacial. Quanto às práticas esferográficas, devido à ausência de gravidade, a sua tinta não descia para a ponta onde está a esfera, que é exactamente o que acontece quando tentamos escrever com as nossas esferográficas com a ponta virada para cima. Resumindo, tentar escrever assim era a verdadeira Odisseia no Espaço. Conta-se que a NASA investiu milhares de horas e de dólares, numa equipa de técnicos dedicada a desenvolver a tal caneta espacial e que finalmente, após alguns anos de trabalho, os astronautas norte-americanos conseguiram levar consigo a prodigiosa esferográfica que escrevia em gravidade zero. Já os astronautas soviéticos encontraram outra solução: levaram consigo o bom e velho lápis!

Não se sabe se esta história é realmente verdade, mas a ideia que ela transmite é mais que verdadeira: as melhores ideias são quase sempre as mais simples. Por isso vale sempre a pena investir em neurónios antes de se começar a gastar dinheiro. Mas por favor não me interpretem mal, não quero necessariamente dizer que não se deve deixar de procurar novas soluções alternativas às habituais, sou da opinião que devemos sempre procurar aperfeiçoar as nossas ideias. Porque se os americanos criaram a caneta espacial e os russos optaram por levar o lápis, os chineses com certeza já descobriram uma forma de construir a caneta espacial ao preço dos lápis.

Por: António Pascoa